Menos de 4 meses. R$ 222 mil faturados. R$ 55 mil entrando por mês, de forma previsível.

Francisco toca a empresa sozinho. Projetos de infraestrutura, do pontual ao loteamento inteiro. Antes, fechava cerca de R$ 20 mil por mês fazendo tudo com a própria mão, porque parecia mais rápido. Hoje, fatura R$ 100 mil por mês há seis meses seguidos.
Ele saiu do operacional, do "eu mesmo faço porque é mais rápido", e passou a olhar pra empresa com indicador, comercial e financeiro conectados entre si, não como uma sequência infinita de apagar incêndio.
O ponto de partida
Francisco é engenheiro e toca a empresa sozinho, sem sócio. "Eu, no caso, sou sozinho na empresa", contou ele. Os projetos são de infraestrutura, ticket médio mais alto que a média, mas também com mais imposto e mais serviço terceirizado a pagar.
Antes da consultoria, o faturamento rondava os R$ 20 mil por mês. Francisco descreveu o próprio cenário como o de alguém perdido, sem saber se posicionar: sabia projetar bem, mas não entendia o que existia por trás da venda. Carga tributária, negociação, imagem, tudo isso era um ponto cego.
"Não adianta você ter qualidade técnica para fazer mil projetos, mas você não tem condição de captar. Você acaba não fazendo nenhum."- Francisco Feitosa
A virada, em quatro alavancas
Não foi um único ajuste. Foram quatro mudanças puxadas em sequência, cada uma abrindo espaço pra próxima.
1 · Mudar o mindset: entender o que existe por trás da técnica
O primeiro impacto foi de entendimento. Francisco percebeu que, numa empresa familiar como a dele, aprendeu a operar, não a vender: entender negociação, saber "perder aqui pra ganhar mais na frente", dialogar com o cliente antes de fechar.
"Toda essa questão de dialogar com o cliente, saber perder aqui para ganhar mais na frente. Isso foi a coisa mais impactante para mim."- Francisco Feitosa
2 · Delegar sem vaidade
Francisco reconhece que é vaidoso com a própria profissão, como boa parte dos engenheiros: gosta de fazer o projeto com a própria mão e desconfia de deixar outra pessoa tocar nele. Foi preciso quebrar isso primeiro para conseguir crescer.
"No primeiro mês que eu contratei o estagiário, só pra me ajudar, eu consegui captar dois, três clientes a mais, que fechou ali no mês. Já faturei 50 mil de uma vez, entendeu? Porque antes era 20."- Francisco Feitosa
3 · Dividir a riqueza para reter o time
Com o comercial rodando, Francisco passou a pagar bem quem entrega: estagiário e prestadores recebem valores acima da média da praça, e isso virou parte da estratégia de retenção.
"Eu sou da política de dividir a riqueza pra não reclamar de pobreza."- Francisco Feitosa
4 · Planejamento e consistência
A última alavanca foi sair do mês a mês e montar planejamento estratégico, tático e operacional, com projeção de seis meses e de um ano. O resultado foi consistência: o mesmo faturamento, mês após mês, em vez de um pico isolado.
"A gente chegou num faturamento mensal aí, nos últimos, pelo menos nos últimos seis meses, a gente tem conseguido manter o faturamento de R$ 100 mil por mês, então tá bacana."- Francisco Feitosa
As quatro alavancas, na ordem
- Entender o que existe por trás da técnica
- Tributário, negociação, posicionamento
- Saber perder aqui pra ganhar mais na frente
- Contratar estagiário
- Largar a vaidade profissional
- Tempo livre virou captação
- Pagar acima da média
- Dividir a riqueza pra reter
- Estratégico, tático, operacional
- Projeção de 6 meses e 1 ano
- Consistência, não pico isolado
Os números
O salto não foi um mês de sorte isolado. Foi degrau, um puxando o outro:
Faturamento mensal, do início ao patamar atual
| Momento | Faturamento |
|---|---|
| Antes da consultoria | R$ 20 mil/mês |
| 1º mês com estagiário contratado | R$ 50 mil |
| Acumulado em 4 meses (R$ 55 mil/mês previsível) | R$ 222 mil |
| Últimos seis meses | R$ 100 mil/mês |
O ticket médio de Francisco é mais alto do que o de boa parte da rede, porque os projetos são de infraestrutura, do pontual ao loteamento inteiro. Também é maior o imposto e o custo de serviço terceirizado, o que torna a consistência, não só o pico, o número que importa.
O desconforto de quem não se contenta
Perguntado se sentia alívio depois de estabilizar o faturamento, Francisco foi direto: não sente. Sente o oposto.
"Eu tenho pouco alívio, para ser sincero, na minha mente. Eu sou muito fácil de ficar na zona de conforto. Atingir isso aí me causa inquietude, porque eu penso: rapaz, isso aqui já não dá mais."- Francisco Feitosa
Não é o número que o incomoda. É achar pouco o que já é bom, e usar esse desconforto como combustível pro próximo patamar.
"O que me causa mais desconforto, na verdade, é porque eu estou achando pouco. Eu estou dando mais, entendeu?"- Francisco Feitosa
Ao fechar a conversa, Francisco resumiu o que ficou da consultoria:
"Eu que agradeço todo apoio e ensinamento. Foi valioso demais."- Francisco Feitosa
Q&A
Como ter previsibilidade de faturamento em um escritório de engenharia?
Acompanhando indicadores toda semana: propostas ativas, percentual com follow-up agendado e caixa projetado para 30 dias. Previsibilidade não é adivinhar o futuro, é ter o número na mão antes do problema aparecer no extrato.
Como saber se a vaidade profissional está travando o crescimento comercial de um engenheiro?
Um sinal claro é insistir em fazer tudo com a própria mão porque parece mais rápido, e resistir a passar qualquer parte do projeto pra outra pessoa. No caso de Francisco Feitosa, essa vaidade sustentava um faturamento de R$ 20 mil por mês, sozinho. No primeiro mês em que contratou um estagiário só pra ajudar no operacional, sobrou tempo pra captar dois ou três clientes a mais, e o faturamento saltou pra R$ 50 mil de uma vez. O teste é simples: se o tempo gasto na execução técnica está travando a captação, delegar deixou de ser vaidade ferida e virou o próximo degrau de faturamento.
Como transformar um pico de faturamento isolado em um patamar estável todo mês?
O primeiro salto de faturamento costuma vir de um mês bom, não de um sistema. A virada de verdade acontece quando se sai do mês a mês e se monta um planejamento estratégico, tático e operacional, com projeção de seis meses e de um ano à frente. Foi essa alavanca que levou Francisco Feitosa de um pico pontual de R$ 222 mil acumulados em quatro meses para manter R$ 100 mil por mês, de forma estável, nos seis meses seguintes. Consistência é resultado de planejamento, não de sorte repetida.
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